O que a Anvisa constatou
Segundo a determinação publicada no Diário Oficial da União, a detentora do registro do Dysport no Brasil, Beaufour Ipsen Farmacêutica Ltda., identificou que o lote P22686 (COMP-007736) nunca foi importado pela empresa. Em outras palavras: unidades circulando no mercado com essa numeração são falsificadas — as características da embalagem e da rotulagem não correspondem às do produto original importado e distribuído oficialmente no país.
Mais lotes sob suspeita
Além do lote inicial, a Ipsen também informou não reconhecer os lotes P08191, P08192 e P22368, apontados em comunicações posteriores como igualmente fora da cadeia oficial de distribuição da empresa no Brasil. A orientação da Anvisa e da própria fabricante é clara: estabelecimentos de saúde e clínicas que tiverem produtos com essas numerações não devem utilizá-los, e qualquer suspeita deve ser comunicada aos órgãos de vigilância sanitária.
Por que isso é relevante além do caso pontual
Falsificação de toxina botulínica não é um episódio isolado no radar da Anvisa — a agência já havia determinado apreensões semelhantes em outros momentos, incluindo alertas para lotes de outras marcas do mesmo tipo de medicamento. O padrão que se repete é o mesmo: produtos sem procedência oficial entrando na cadeia através de fornecedores paralelos, muitas vezes oferecendo preço abaixo do praticado por distribuidores autorizados.
Para quem aplica toxina botulínica em procedimentos de harmonização orofacial, o risco não é apenas regulatório — é clínico. Um produto falsificado pode ter dosagem incorreta, contaminação ou composição totalmente diferente da declarada, com consequências que vão de resultado estético insatisfatório a complicações de saúde para o paciente.
Como se proteger
- Comprar exclusivamente de distribuidores autorizados pelo laboratório fabricante, evitando intermediários sem histórico verificável;
- Conferir lote e validade de cada caixa recebida contra os alertas públicos da Anvisa antes de usar o produto em paciente;
- Guardar nota fiscal e comprovante de origem de cada lote adquirido — documentação que protege tanto o profissional quanto o paciente em caso de dúvida futura;
- Acompanhar os alertas oficiais publicados em gov.br/anvisa, já que novos lotes falsificados podem ser identificados a qualquer momento.
O episódio reforça, mais uma vez, que a boa prática em HOF não termina na técnica de aplicação — começa na escolha e na rastreabilidade de cada insumo usado no paciente.
